Instalações elétricas em prédios: o que muda?

As instalações elétricas em edifícios residenciais ou comerciais envolvem uma complexidade maior do que nas residências unifamiliares. Além de atender múltiplas unidades consumidoras, essas instalações precisam seguir regras específicas para garantir segurança, eficiência, economia de energia e facilidade de manutenção.

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Neste artigo, vamos explicar o que muda em relação à instalação elétrica de uma casa comum e quais são os principais pontos de atenção em projetos elétricos prediais.

A importância do projeto elétrico predial

Todo prédio deve contar com um projeto elétrico elaborado por um engenheiro eletricista registrado no CREA. Esse projeto considera não apenas as unidades autônomas (apartamentos ou salas), mas também as áreas comuns, como corredores, garagens, elevadores, bombas de água e sistemas de emergência.

O projeto define os seguintes elementos:

  • Entrada de energia (padrão coletivo)
  • Quadro geral de distribuição
  • Quadros setoriais por andar
  • Ramais de alimentação individuais
  • Sistema de aterramento unificado
  • Proteções contra surtos e choques

Sem esse planejamento, os riscos de sobrecarga, curtos e acidentes aumentam significativamente.

Entrada de energia coletiva

Ao contrário de uma casa, que possui um único ponto de entrada de energia, o prédio conta com uma entrada coletiva, dimensionada para atender simultaneamente todas as unidades e as áreas comuns.

A concessionária entrega a energia em média ou baixa tensão até o padrão de entrada, onde é feita a medição geral e/ou individualizada. Em prédios maiores, pode haver um transformador próprio.

Essa entrada é composta por:

  • Ramal de ligação
  • Poste padrão ou cabine
  • Disjuntores gerais
  • Barramento principal
  • Proteções contra surtos (DPS)

Medição individualizada por unidade

Cada apartamento ou sala deve ter seu próprio medidor de energia, que registra o consumo de forma separada. Esses medidores são instalados em um quadro de medição centralizado, geralmente localizado no térreo ou subsolo.

Além disso, o prédio também possui um medidor exclusivo para as áreas comuns, como iluminação da garagem, elevador, interfone, bomba d’água e portão automático.

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Quadros de distribuição por andar

Para facilitar a organização e manutenção, é comum instalar quadros de distribuição por andar, que alimentam as unidades daquele pavimento e os circuitos das áreas comuns locais (como iluminação do hall e escadas).

Esses quadros recebem alimentação do quadro geral e são equipados com disjuntores de proteção por circuito.

Sistema de aterramento único

Nos prédios, o aterramento deve ser feito de forma unificada, conectando todos os sistemas ao mesmo potencial de terra. Isso garante que não haja diferença de tensão entre os equipamentos metálicos do prédio, evitando choques por contato indireto.

O sistema de aterramento deve ser contínuo, com condutores protegidos e conectados às barras de equipotencialização dos quadros.

Além disso, deve ser previsto um sistema de SPDA (para-raios) em edifícios com altura superior a 30 metros ou conforme exigido pela NBR 5419.

Proteções obrigatórias

As normas exigem que cada unidade e as áreas comuns tenham proteções adequadas:

  • Disjuntores termomagnéticos
  • Disjuntores DR (obrigatórios em áreas molhadas)
  • DPS no quadro geral e nos quadros de andares
  • Separação de circuitos (iluminação, tomadas, chuveiros, etc.)
  • Aterramento funcional e de proteção

A instalação desses dispositivos deve seguir a NBR 5410, garantindo que um defeito em um apartamento não afete os demais.

Elevadores e sistemas críticos

Os elevadores exigem circuitos dedicados, com proteções específicas, e são alimentados diretamente do quadro geral. Também é comum prever um sistema de alimentação de emergência, com gerador ou nobreak, para garantir o funcionamento de elevadores em caso de falta de energia.

Outros sistemas críticos com circuitos exclusivos:

  • Iluminação de emergência
  • Sistema de bombas de incêndio
  • Interfone e portaria eletrônica
  • Câmeras de segurança

Iluminação das áreas comuns

A iluminação das áreas comuns (escadas, corredores, garagem, salão de festas, etc.) deve ser prevista com circuitos independentes. Em áreas internas, é recomendado o uso de sensores de presença e lâmpadas LED para reduzir o consumo de energia.

Em locais com acesso público, como halls e portarias, deve haver iluminação de emergência e sinalização conforme a NBR 10898.

Sistema de para-raios (SPDA)

Prédios com altura superior a 30 metros ou localizados em regiões de alta incidência de raios devem contar com um SPDA (Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas). Esse sistema inclui:

  • Captores (haste Franklin ou malha)
  • Condutores de descida
  • Barramento de equipotencialização
  • Aterramento

A instalação do SPDA deve seguir a NBR 5419 e ser acompanhada de um laudo técnico com ART (Anotação de Responsabilidade Técnica).

Instalações em garagens

As garagens geralmente exigem iluminação permanente, sensores de presença e tomadas para manutenção. Em prédios mais modernos, também é comum prever a infraestrutura para carregamento de carros elétricos, com alimentação específica e medição dedicada por unidade.

Além disso, é importante prever canaletas, eletrocalhas ou eletrodutos resistentes a ambientes úmidos e à presença de veículos.

Manutenção e segurança

A manutenção das instalações elétricas prediais deve ser feita por profissional habilitado, com conhecimento em sistemas coletivos e normas técnicas. As revisões periódicas devem incluir:

  • Verificação dos quadros e barramentos
  • Testes de disjuntores e DRs
  • Medição de aterramento
  • Inspeção do SPDA
  • Termografia (em casos industriais ou prédios com alta carga)

As áreas comuns devem ter fácil acesso aos quadros, com identificação clara dos circuitos, conforme exige a NR-10.

Conclusão: segurança coletiva começa com projeto bem feito

Em prédios, a instalação elétrica não é responsabilidade apenas de um morador. Ela envolve múltiplas unidades e áreas comuns, exigindo planejamento técnico, padronização e manutenção constante. Um sistema bem projetado evita acidentes, valoriza o imóvel e garante segurança para todos os moradores.

Por isso, sempre conte com engenheiros, eletricistas qualificados e siga rigorosamente as normas da ABNT. Em condomínios, eletricidade é assunto coletivo — e deve ser tratado com seriedade.

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